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Como ler a receita de óculos: guia de balcão

Para ler a receita de óculos, olhe primeiro a linha de cada olho (OD é o direito, OE é o esquerdo) e, em cada uma, o esférico, o cilíndrico e o eixo; depois confira se há adição para perto, DNP e prisma. Este guia explica cada campo com exemplos, mostra a conta da transposição do cilindro e deixa claro o que o balcão da ótica não pode fazer com a receita: interpretar saúde ou mudar o grau.

Gabriel SampaioFundador do Otikos
Atualizado em 10 de outubro de 20269 min de leitura

Resposta rápida

A receita de óculos traz uma linha para cada olho: OD (direito) e OE (esquerdo). Em cada linha, o esférico é a potência principal, o cilíndrico corrige astigmatismo e o eixo, de 1 a 180, diz a direção do cilindro. A adição soma grau para perto, a DNP centraliza a lente e o prisma, quando existe, vem com a base.

Receita de óculos impressa sobre o balcão com uma caneta apontando para uma coluna.
Nesta página
  1. Os campos da receita de óculos, um por um
  2. Esférico, cilíndrico e eixo: como ler a linha de cada olho
  3. Adição e grau de perto
  4. DNP e prisma: os campos que mais geram retrabalho
  5. Transposição do cilindro: mesma lente, outra forma de escrever
  6. O que o balcão não pode fazer com a receita
  7. Checklist de conferência antes de orçar
  8. Onde o Otikos entra
  9. Perguntas frequentes

Os campos da receita de óculos, um por um

Toda receita de óculos segue a mesma lógica, mesmo quando o desenho do formulário muda de um consultório para outro. São linhas por olho e colunas por tipo de correção. As definições abaixo seguem o guia de como ler a receita de óculos da All About Vision, com revisão médica, e materiais de ensino de óptica oftálmica citados ao longo do texto.

Campos mais comuns da receita de óculos. Os valores são ilustrativos, não uma recomendação de grau.
CampoO que significaExemplo
OD / OEOlho direito e olho esquerdo. AO, quando aparece, quer dizer ambos os olhosPrimeira linha OD, segunda linha OE
Longe / PertoCorreção para enxergar à distância e para leituraPerto pode vir preenchido ou indicado só pela adição
Esférico (ESF)Potência principal da lente, em dioptrias. O sinal de menos e o de mais mudam o tipo de lente-2,25 ou +1,50
Cilíndrico (CIL)Potência extra para corrigir astigmatismo. Em branco, não há correção de astigmatismo-0,75
EixoDireção em que o cilíndrico atua, de 1 a 180180
Adição (AD)Potência sempre positiva somada ao grau de longe para enxergar de perto+2,00
DNPDistância de cada pupila até o centro do nariz, em milímetrosOD 32 / OE 31 (exemplo)
Prisma e basePotência prismática em dioptrias prismáticas (Δ) e a direção da base1,0 Δ base nasal (exemplo)

Duas regras de leitura evitam metade dos erros de quem está começando: o sinal vem sempre antes do número ("-0,75", nunca "0,75-"), e o eixo é escrito sem o símbolo de grau, justamente para não ser confundido com um zero, como explica o material Introduction to Ophthalmic Optics, da Carl Zeiss Vision.

Esférico, cilíndrico e eixo: como ler a linha de cada olho

O esférico é a potência que vale para a lente inteira, medida em dioptrias (D). Pelo guia da All About Vision, o sinal de menos aparece na correção de miopia e o sinal de mais (ou a ausência de sinal) na de hipermetropia. Para o balcão, o que importa é transcrever o sinal certo: trocar "+" por "-" produz outra lente.

O cilíndrico é uma potência adicional que age em uma direção só, usada para astigmatismo. Pode vir com sinal de menos ou de mais, conforme a forma como o profissional escreve. Se a coluna estiver vazia ou com um traço, a lente não tem correção cilíndrica naquele olho.

O eixo só existe quando há cilíndrico. Ele vai de 1 a 180 e indica a direção em que o cilindro atua: 90 é a vertical e 180 a horizontal. Cilíndrico sem eixo, ou eixo sem cilíndrico, é receita incompleta, e a ótica não deve completar por conta própria.

Exemplo de leitura: "OD -1,50 -0,75 x 180" quer dizer olho direito, esférico -1,50, cilíndrico -0,75 com eixo 180. "OE +0,50" sozinho quer dizer olho esquerdo, esférico +0,50 e nenhum cilíndrico. Os números são só para treinar a leitura.

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Adição e grau de perto

A adição é uma potência positiva que se soma ao grau de longe para a visão de perto, comum em lentes multifocais e bifocais. Pelo material da Carl Zeiss Vision citado acima, quando o cliente quer óculos só de leitura, o grau de perto de cada olho se calcula somando a adição ao esférico de longe e mantendo o mesmo cilíndrico e o mesmo eixo.

Exemplo de conta: longe "OD -1,00 -0,50 x 90" com adição +2,00 dá, para perto, "OD +1,00 -0,50 x 90" (porque -1,00 + 2,00 = +1,00). O cilíndrico e o eixo não mudam. Se a receita já trouxer a linha de perto preenchida pelo profissional, use o que está escrito e confira se bate com a conta; se não bater, a dúvida volta para quem prescreveu.

Receita com adição costuma abrir a conversa sobre multifocal. Como explicar a adaptação sem prometer o que a lente não entrega está em como vender lente multifocal.

DNP e prisma: os campos que mais geram retrabalho

A DNP (distância naso-pupilar) é a medida, em milímetros, de cada pupila até o centro do nariz. É monocular: um valor para o OD e outro para o OE, porque os dois lados nem sempre são iguais. Um estudo publicado no The Scientific World Journal encontrou assimetria entre os lados na maioria das pessoas avaliadas e alerta que ignorar isso pode descentralizar a lente, principalmente nas progressivas.

O motivo é óptico: se o centro óptico da lente não coincide com a linha de visão, surge um efeito prismático, maior quanto mais forte o grau, como descreve um trabalho da UNIFESP nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. A conta usada em óptica é a regra de Prentice, ensinada na revisão de óptica da Universidade de Iowa: dioptrias prismáticas = deslocamento em centímetros x potência da lente.

Exemplo

Exemplo: numa lente de -4,00, um centro óptico montado 3 mm fora da pupila (0,3 cm) gera 0,3 x 4 = 1,2 dioptria prismática que ninguém prescreveu. Por isso DNP medida com pressa é causa comum de óculos que "não ficaram bons" mesmo com o grau certo.

Nem toda receita traz a DNP. Quando não traz, a ótica mede na hora, com régua ou pupilômetro, e registra o valor na ordem de serviço. Já o prisma é diferente: quando aparece, ele foi prescrito, vem com o valor em Δ e a direção da base (nasal, temporal, superior ou inferior) e deve ser transcrito exatamente como está.

Transposição do cilindro: mesma lente, outra forma de escrever

A mesma correção pode ser escrita com cilíndrico negativo ou positivo, conforme o equipamento e o hábito de quem examinou. Na fabricação, a forma de cilindro negativo é a preferida, como explica o material da Carl Zeiss Vision. Converter uma forma na outra se chama transposição e não altera o grau. A regra, que aparece igual na revisão da Universidade de Iowa e no material da Zeiss, tem três passos:

  1. Novo esférico: some o esférico com o cilíndrico, respeitando os sinais.
  2. Novo cilíndrico: mantenha o mesmo valor e troque o sinal.
  3. Novo eixo: gire 90. Se o eixo for 90 ou menos, some 90; se for maior que 90, subtraia 90.

Exemplo da própria revisão de Iowa: "+2,50 +3,50 x 95" vira "+6,00 -3,50 x 5" (2,50 + 3,50 = 6,00; o cilindro troca de sinal; 95 menos 90 dá 5). Outro exemplo, para treinar: "-1,00 -0,50 x 180" vira "-1,50 +0,50 x 90" (-1,00 - 0,50 = -1,50; o cilindro passa a +0,50; 180 menos 90 dá 90).

No balcão, a transposição serve para conferir: comparar uma receita nova com os óculos antigos, ou checar se o pedido ao laboratório e a receita descrevem a mesma lente. Ela não serve para "ajustar" nada. Na dúvida, o pedido vai com a receita exatamente como foi escrita e a conversão fica com o técnico responsável.

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O que o balcão não pode fazer com a receita

Ler a receita é tarefa do balcão; interpretar a visão do cliente não é. O Decreto 24.492/1934 atribui ao óptico prático o "aviamento perfeito" da fórmula (art. 9º) e, no art. 13, proíbe a equipe da ótica de escolher, indicar ou aconselhar o uso de lentes de grau. O texto traz a anotação "Vide ADPF 131", e o alcance de quem examina e prescreve está explicado em optometrista na ótica e a decisão do STF. Confirme a regra que vale para a sua loja com advogado e vigilância sanitária local.

  • Não mude o grau, nem "arredonde" um valor, nem tire o cilíndrico porque o cliente achou a lente cara.
  • Não complete campo em branco com palpite: eixo, adição ou prisma faltando voltam para quem prescreveu.
  • Não interprete saúde: frases como "seu grau aumentou muito" ou "isso é sinal de tal coisa" não cabem no balcão.
  • Não avie receita ilegível: se não dá para ler um número ou um sinal com segurança, peça confirmação.
  • Não exponha a receita: grau é dado de saúde, tratado como dado sensível pela LGPD. Foto de receita não circula em grupo de WhatsApp da equipe.

Quando o cliente pergunta "meu grau está alto?", a resposta honesta é: "Quem pode avaliar é o profissional que fez o exame. Aqui eu garanto que a lente vai sair exatamente como ele prescreveu."

Checklist de conferência antes de orçar

Use esta sequência com todo vendedor novo até virar hábito. Ela leva menos de dois minutos e evita a lente refeita, que custa laboratório, prazo e confiança:

  1. Confira nome do cliente, data da receita e identificação do profissional.
  2. Leia OD e OE em voz alta, com sinal, valor e eixo, e peça para outra pessoa conferir a transcrição.
  3. Verifique se todo cilíndrico tem eixo e se não há eixo sobrando sem cilíndrico.
  4. Procure adição, linha de perto e prisma; se houver prisma, anote valor e base.
  5. Confira se a DNP veio na receita ou precisa ser medida, e registre o valor na ordem de serviço.
  6. Compare com a receita anterior do cliente, se houver, para pegar erro de digitação (não para avaliar grau).
  7. Só então monte o orçamento da lente adequada ao que foi prescrito.

Esse cuidado rende mais quando a receita fica guardada no cadastro do cliente e ligada à venda, e não numa gaveta. Como organizar isso está em como controlar receitas e estoque na ótica e no guia de sistema de gestão para óticas.

Onde o Otikos entra

No Otikos, a IA de Atendimento no WhatsApp lê a foto da receita que o cliente manda para apoiar o orçamento, sem diagnóstico, e agenda o exame quando a pessoa ainda não tem receita. No ERP, a venda é lançada vinculada ao cliente, à receita e ao pagamento, e daí saem a ordem de serviço e o pedido ao laboratório. A conferência humana do checklist continua valendo. O panorama do que a IA já faz numa ótica está no guia completo de IA para óticas.

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Perguntas frequentes

Como ler a receita de óculos?

Separe as linhas OD (olho direito) e OE (olho esquerdo). Em cada uma, leia o esférico, o cilíndrico e o eixo; depois veja se há adição para perto, DNP e prisma com a base.

O que significa esférico e cilíndrico na receita?

O esférico é a potência principal da lente, em dioptrias. O cilíndrico é uma potência extra que corrige astigmatismo e sempre vem acompanhada de um eixo. Coluna vazia quer dizer sem correção daquele tipo.

O que é o eixo na receita de óculos?

É a direção em que o cilíndrico atua, escrita de 1 a 180, sem o símbolo de grau. 90 é a vertical e 180 a horizontal. Só existe eixo quando existe cilíndrico.

O que é adição na receita de óculos?

É uma potência positiva somada ao grau de longe para enxergar de perto. Para óculos só de leitura, soma-se a adição ao esférico e mantêm-se cilíndrico e eixo.

O que é DNP na receita de óculos?

É a distância naso-pupilar: a medida, em milímetros, de cada pupila até o centro do nariz. Ela centraliza a lente; se a receita não trouxer, a ótica mede.

A ótica pode mudar o grau da receita?

Não. A ótica avia a receita como foi escrita. Pode transpor o cilindro, que é outra forma de escrever a mesma lente, mas dúvida ou campo faltando volta para quem prescreveu.

Gabriel Sampaio

Sobre o autor

Gabriel Sampaio

Fundador do Otikos, sistema para óticas com IA feito no Brasil, e da GS Mídias, que trabalha com marketing e atendimento de óticas. Escreve a partir do que acompanha na operação das lojas: anúncio, WhatsApp, agenda e balcão. Revisado em 10 de outubro de 2026.

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  1. Os campos da receita de óculos, um por um
  2. Esférico, cilíndrico e eixo: como ler a linha de cada olho
  3. Adição e grau de perto
  4. DNP e prisma: os campos que mais geram retrabalho
  5. Transposição do cilindro: mesma lente, outra forma de escrever
  6. O que o balcão não pode fazer com a receita
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