Nesta página
- Os 4 modelos de comissão mais usados em ótica
- Simulação: o mesmo mês em cada modelo
- Prós e contras de cada modelo
- O que a lei diz sobre comissão (o básico)
- Como calcular o DSR sobre comissões, passo a passo
- Como não transformar comissão em empurroterapia
- Como implantar ou mudar a comissão na sua ótica
- Onde o Otikos entra
- Perguntas frequentes
Os 4 modelos de comissão mais usados em ótica
Nenhuma lei fixa quanto um vendedor de ótica deve ganhar de comissão. O percentual é uma decisão da loja, limitada pelo piso da convenção coletiva e pela sua margem. O que muda de um modelo para outro é o comportamento que ele estimula:
- Percentual sobre a venda: o vendedor recebe um percentual do valor vendido no mês. É o mais simples de entender e de calcular, e estimula volume.
- Percentual sobre a margem: a base é o lucro bruto da venda (preço menos custo da armação, da lente e do laboratório). Estimula vender bem, sem desconto exagerado.
- Escalonada por meta: o percentual sobe conforme o vendedor se aproxima ou passa da meta. Estimula esforço no fim do mês.
- Bônus por item: um valor fixo por item que a loja quer empurrar com cuidado, como lente de linha superior ou tratamento. Estimula mix, e é o que mais exige trava contra exagero.
Na prática, muitas óticas misturam dois modelos: uma base simples (sobre venda ou margem) mais uma parte por meta coletiva, que evita o vendedor que disputa cliente com o colega. O primeiro contato com esse tema, na contratação, está em como contratar vendedor de ótica; aqui o foco é escolher o modelo e fazer a conta.
Simulação: o mesmo mês em cada modelo
Para comparar de forma justa, use o mesmo mês de um vendedor em todos os modelos. Os números abaixo são um exemplo declarado, não referência de mercado: troque pelos da sua loja.
| Modelo | Regra do exemplo | Conta | Comissão do mês |
|---|---|---|---|
| Sobre a venda | 3% das vendas líquidas | 3% × R$ 40.000 | R$ 1.200 |
| Sobre a margem | 5% da margem bruta | 5% × R$ 22.000 | R$ 1.100 |
| Escalonada por faixa de meta | 2% até R$ 28.000 (80% da meta), 3% de R$ 28.000 a R$ 35.000, 4% acima da meta | R$ 560 + R$ 210 + R$ 200 | R$ 970 |
| Base + bônus por item | 1,5% das vendas líquidas + R$ 20 por par de lente intermediária ou superior | R$ 600 + (15 × R$ 20) | R$ 900 |
Repare que a diferença entre os modelos não está só no valor final. No modelo sobre a margem, um desconto de R$ 300 dado sem necessidade sai do bolso do vendedor também; no modelo sobre a venda, só sai do bolso da loja. Na escalonada, cada real vendido acima da meta vale o dobro do primeiro real do mês. Para saber qual margem você realmente tem em cada óculos, a conta está em como precificar óculos de grau.
Prós e contras de cada modelo
- Sobre a venda. A favor: o vendedor confere a própria comissão de cabeça. Contra: premia desconto, porque vender mais barato para fechar não pesa para ele.
- Sobre a margem. A favor: alinha o vendedor com o lucro da loja. Contra: exige custo cadastrado certo em cada item; se o custo está errado, a comissão também está, e a confiança acaba.
- Escalonada por meta. A favor: dá motivo para buscar a última venda do mês. Contra: meta mal calibrada desanima no dia 10; e o vendedor pode segurar venda de um mês para o outro se a regra deixar.
- Bônus por item. A favor: direciona o foco para o produto que a loja escolheu. Contra: é o modelo que mais facilita a empurroterapia, se não houver trava de qualidade.
Uma regra prática: quanto melhor o seu controle de custo e de devolução, mais você pode usar margem e bônus. Loja que ainda fecha o mês no caderno costuma ir melhor com percentual simples sobre a venda líquida e uma meta coletiva, até organizar os dados.
O que a lei diz sobre comissão (o básico)
Comissão não é presente: é salário. Os pontos que todo dono de ótica precisa conhecer antes de montar o modelo:
- Comissão integra o salário: pelo art. 457, § 1º, da CLT, integram o salário a parte fixa, as gratificações legais e as comissões. Por isso ela entra na base de férias, 13º, FGTS e INSS; o contador faz a conta exata.
- Garantia do mínimo: a Constituição, art. 7º, inciso VII, garante salário nunca inferior ao mínimo para quem recebe remuneração variável. Em mês fraco, a loja completa.
- Descanso semanal remunerado (DSR): a Lei 605/1949 garante o repouso semanal remunerado, e a Súmula 27 do TST confirma que o comissionista também tem direito à remuneração do repouso e dos feriados. Ou seja: há um valor de DSR calculado sobre as comissões.
- Quando a comissão é devida: o art. 466 da CLT diz que ela é exigível depois de concluída a transação; em venda por prestações, proporcionalmente ao que for sendo pago. Isso pesa para quem vende no crediário próprio da ótica.
Como calcular o DSR sobre comissões, passo a passo
A forma de cálculo mais usada divide a comissão pelos dias úteis do mês e multiplica pelos domingos e feriados. Confirme com o contador se a sua convenção prevê outra forma. Com o exemplo do modelo sobre a venda:
- Some a comissão do mês: R$ 1.200 no exemplo.
- Conte os dias úteis do mês (segunda a sábado, sem feriados). Exemplo: 25 dias.
- Conte os domingos e feriados do mesmo mês. Exemplo: 5 dias.
- Divida a comissão pelos dias úteis: R$ 1.200 ÷ 25 = R$ 48 por dia.
- Multiplique pelos domingos e feriados: R$ 48 × 5 = R$ 240 de DSR.
- Lance comissão e DSR em linhas separadas no holerite, para o vendedor conseguir conferir.
Esquecer o DSR é um dos erros mais comuns de loja pequena que paga comissão "por fora" ou em planilha. No exemplo, ele representa 20% a mais sobre a comissão do mês, e precisa estar no seu custo de pessoal.
Como não transformar comissão em empurroterapia
Comissão mal desenhada faz o vendedor oferecer a lente mais cara para quem não precisa, prometer o que o produto não entrega e esconder a opção simples. O resultado chega semanas depois: troca, cliente insatisfeito e avaliação ruim. Algumas travas que funcionam:
- Base líquida: comissão sobre venda já descontada de cancelamentos e devoluções, com a regra escrita de como cada caso é tratado (validada com o contador, porque estorno de comissão tem regra própria).
- Parte coletiva: uma fatia ligada à meta da loja inteira, para que atendimento de WhatsApp e pós-venda também contem.
- Indicador de qualidade: acompanhar por vendedor quantas lentes voltam para refazer ou trocar. Bônus por item só vale para quem mantém esse indicador baixo.
- Oferta pela rotina: o vendedor apresenta faixas ligadas ao uso do cliente, como no roteiro de como vender lente multifocal, e não começa pela mais cara.
- Respostas honestas a objeção: preparar a equipe com as respostas de objeções de vendas na ótica reduz a tentação de forçar a venda.
Vendedor que perde comissão quando o cliente volta insatisfeito aprende rápido que vender bem é vender o que serve.
Como implantar ou mudar a comissão na sua ótica
- Puxe os últimos três meses de venda por vendedor, com valor líquido, margem e devoluções.
- Simule os modelos com esses números reais, como na tabela acima, e veja quanto cada um custa para a loja.
- Escolha um modelo base e, no máximo, um complemento (meta coletiva ou bônus por item).
- Escreva a regra: base de cálculo, percentuais, data de pagamento, tratamento de cancelamento, devolução e venda parcelada.
- Valide o texto com o contador, conferindo piso, garantia mínima e DSR da convenção coletiva.
- Apresente à equipe com um exemplo calculado e entregue a regra por escrito para cada vendedor.
- Revise depois de três meses, sem mudar a regra no meio do mês.
Mudança que reduz o que o vendedor já recebe é delicada do ponto de vista trabalhista e de equipe; nesse caso, converse com o contador antes de anunciar. E nada disso funciona sem a venda registrada no nome de quem atendeu: o sistema de gestão para óticas é onde esse número nasce, e o CRM para óticas mostra quem atendeu cada contato antes da venda.
Onde o Otikos entra
No Otikos, a IA de ERP parte da venda registrada no balcão, vinculada ao cliente, à receita e ao pagamento, e a partir dela atualiza ordem de serviço, pedido ao laboratório, estoque, caixa, financeiro e comissão. A IA de Atendimento responde o WhatsApp 24 horas e agenda exame, e o pós-venda segue com cadência de mensagens até o dia 180. Os recursos dependem de configuração e plano.
Perguntas frequentes
Qual a porcentagem de comissão de vendedor de ótica?
Não existe percentual definido em lei. Cada loja define o seu, respeitando o piso da convenção coletiva e a própria margem. O mais importante é a regra escrita: base de cálculo, devoluções, venda parcelada e data de pagamento.
Comissão de vendedor tem DSR?
Sim. A Súmula 27 do TST garante ao comissionista a remuneração do repouso semanal e dos feriados. O cálculo usual divide a comissão pelos dias úteis e multiplica pelos domingos e feriados; confirme a forma com o seu contador.
Vendedor só comissionado pode ganhar menos que o salário mínimo?
Não. A Constituição, no art. 7º, inciso VII, garante salário nunca inferior ao mínimo para quem recebe remuneração variável. Em mês fraco, a loja completa a diferença. A convenção coletiva pode prever garantia maior.
Comissão entra nas férias e no 13º?
Sim. Pela CLT, a comissão integra o salário, por isso entra na base de férias, 13º, FGTS e INSS. O cálculo costuma usar a média das comissões do período; o contador aplica a regra exata.
Pode descontar comissão de venda cancelada?
Depende de como a regra foi escrita e do caso concreto, e o tema tem jurisprudência própria. Defina por escrito como cancelamento, devolução e venda parcelada são tratados, e valide com o contador ou advogado trabalhista antes de aplicar.



