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Gestão e finanças

Comissão de vendedor de ótica: 4 modelos, simulação e o que diz a lei

A comissão de vendedor de ótica que funciona combina um fixo que garante o mínimo com uma parte variável ligada ao que dá lucro para a loja, não só ao volume vendido. Os quatro modelos mais usados são percentual sobre a venda, percentual sobre a margem, comissão escalonada por meta e bônus por item; cada um muda o comportamento do vendedor no balcão, e todos precisam de regra escrita e conferência com o contador.

Gabriel SampaioFundador do Otikos
Atualizado em 10 de outubro de 20268 min de leitura

Resposta rápida

Os modelos mais usados de comissão de vendedor de ótica são percentual sobre a venda, percentual sobre a margem, escalonada por meta e bônus por item. Não há percentual definido em lei: a comissão integra o salário, gera reflexo no descanso semanal remunerado e precisa respeitar o salário mínimo e a convenção coletiva local.

Dono de ótica entregando um envelope a uma vendedora no fim do mês, sorrindo.
Nesta página
  1. Os 4 modelos de comissão mais usados em ótica
  2. Simulação: o mesmo mês em cada modelo
  3. Prós e contras de cada modelo
  4. O que a lei diz sobre comissão (o básico)
  5. Como calcular o DSR sobre comissões, passo a passo
  6. Como não transformar comissão em empurroterapia
  7. Como implantar ou mudar a comissão na sua ótica
  8. Onde o Otikos entra
  9. Perguntas frequentes

Os 4 modelos de comissão mais usados em ótica

Nenhuma lei fixa quanto um vendedor de ótica deve ganhar de comissão. O percentual é uma decisão da loja, limitada pelo piso da convenção coletiva e pela sua margem. O que muda de um modelo para outro é o comportamento que ele estimula:

  • Percentual sobre a venda: o vendedor recebe um percentual do valor vendido no mês. É o mais simples de entender e de calcular, e estimula volume.
  • Percentual sobre a margem: a base é o lucro bruto da venda (preço menos custo da armação, da lente e do laboratório). Estimula vender bem, sem desconto exagerado.
  • Escalonada por meta: o percentual sobe conforme o vendedor se aproxima ou passa da meta. Estimula esforço no fim do mês.
  • Bônus por item: um valor fixo por item que a loja quer empurrar com cuidado, como lente de linha superior ou tratamento. Estimula mix, e é o que mais exige trava contra exagero.

Na prática, muitas óticas misturam dois modelos: uma base simples (sobre venda ou margem) mais uma parte por meta coletiva, que evita o vendedor que disputa cliente com o colega. O primeiro contato com esse tema, na contratação, está em como contratar vendedor de ótica; aqui o foco é escolher o modelo e fazer a conta.

Simulação: o mesmo mês em cada modelo

Para comparar de forma justa, use o mesmo mês de um vendedor em todos os modelos. Os números abaixo são um exemplo declarado, não referência de mercado: troque pelos da sua loja.

Exemplo

Vendas líquidas do mês (já sem cancelamentos e devoluções): R$ 40.000. Margem bruta dessas vendas: R$ 22.000. Meta individual: R$ 35.000. Pares de lente de linha intermediária ou superior vendidos: 15.

Simulação de comissão de vendedor de ótica com valores ilustrativos; o DSR sobre comissões é calculado à parte.
ModeloRegra do exemploContaComissão do mês
Sobre a venda3% das vendas líquidas3% × R$ 40.000R$ 1.200
Sobre a margem5% da margem bruta5% × R$ 22.000R$ 1.100
Escalonada por faixa de meta2% até R$ 28.000 (80% da meta), 3% de R$ 28.000 a R$ 35.000, 4% acima da metaR$ 560 + R$ 210 + R$ 200R$ 970
Base + bônus por item1,5% das vendas líquidas + R$ 20 por par de lente intermediária ou superiorR$ 600 + (15 × R$ 20)R$ 900

Repare que a diferença entre os modelos não está só no valor final. No modelo sobre a margem, um desconto de R$ 300 dado sem necessidade sai do bolso do vendedor também; no modelo sobre a venda, só sai do bolso da loja. Na escalonada, cada real vendido acima da meta vale o dobro do primeiro real do mês. Para saber qual margem você realmente tem em cada óculos, a conta está em como precificar óculos de grau.

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Prós e contras de cada modelo

  • Sobre a venda. A favor: o vendedor confere a própria comissão de cabeça. Contra: premia desconto, porque vender mais barato para fechar não pesa para ele.
  • Sobre a margem. A favor: alinha o vendedor com o lucro da loja. Contra: exige custo cadastrado certo em cada item; se o custo está errado, a comissão também está, e a confiança acaba.
  • Escalonada por meta. A favor: dá motivo para buscar a última venda do mês. Contra: meta mal calibrada desanima no dia 10; e o vendedor pode segurar venda de um mês para o outro se a regra deixar.
  • Bônus por item. A favor: direciona o foco para o produto que a loja escolheu. Contra: é o modelo que mais facilita a empurroterapia, se não houver trava de qualidade.

Uma regra prática: quanto melhor o seu controle de custo e de devolução, mais você pode usar margem e bônus. Loja que ainda fecha o mês no caderno costuma ir melhor com percentual simples sobre a venda líquida e uma meta coletiva, até organizar os dados.

O que a lei diz sobre comissão (o básico)

Comissão não é presente: é salário. Os pontos que todo dono de ótica precisa conhecer antes de montar o modelo:

  • Comissão integra o salário: pelo art. 457, § 1º, da CLT, integram o salário a parte fixa, as gratificações legais e as comissões. Por isso ela entra na base de férias, 13º, FGTS e INSS; o contador faz a conta exata.
  • Garantia do mínimo: a Constituição, art. 7º, inciso VII, garante salário nunca inferior ao mínimo para quem recebe remuneração variável. Em mês fraco, a loja completa.
  • Descanso semanal remunerado (DSR): a Lei 605/1949 garante o repouso semanal remunerado, e a Súmula 27 do TST confirma que o comissionista também tem direito à remuneração do repouso e dos feriados. Ou seja: há um valor de DSR calculado sobre as comissões.
  • Quando a comissão é devida: o art. 466 da CLT diz que ela é exigível depois de concluída a transação; em venda por prestações, proporcionalmente ao que for sendo pago. Isso pesa para quem vende no crediário próprio da ótica.

Atenção

Piso salarial, garantia mínima do comissionista, forma de cálculo do DSR e regras de estorno costumam ter cláusulas próprias na convenção coletiva do comércio da sua cidade, e mudam de uma região para outra. Confira com o sindicato local e com o seu contador antes de colocar qualquer modelo no papel.

Como calcular o DSR sobre comissões, passo a passo

A forma de cálculo mais usada divide a comissão pelos dias úteis do mês e multiplica pelos domingos e feriados. Confirme com o contador se a sua convenção prevê outra forma. Com o exemplo do modelo sobre a venda:

  1. Some a comissão do mês: R$ 1.200 no exemplo.
  2. Conte os dias úteis do mês (segunda a sábado, sem feriados). Exemplo: 25 dias.
  3. Conte os domingos e feriados do mesmo mês. Exemplo: 5 dias.
  4. Divida a comissão pelos dias úteis: R$ 1.200 ÷ 25 = R$ 48 por dia.
  5. Multiplique pelos domingos e feriados: R$ 48 × 5 = R$ 240 de DSR.
  6. Lance comissão e DSR em linhas separadas no holerite, para o vendedor conseguir conferir.

Esquecer o DSR é um dos erros mais comuns de loja pequena que paga comissão "por fora" ou em planilha. No exemplo, ele representa 20% a mais sobre a comissão do mês, e precisa estar no seu custo de pessoal.

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Como não transformar comissão em empurroterapia

Comissão mal desenhada faz o vendedor oferecer a lente mais cara para quem não precisa, prometer o que o produto não entrega e esconder a opção simples. O resultado chega semanas depois: troca, cliente insatisfeito e avaliação ruim. Algumas travas que funcionam:

  • Base líquida: comissão sobre venda já descontada de cancelamentos e devoluções, com a regra escrita de como cada caso é tratado (validada com o contador, porque estorno de comissão tem regra própria).
  • Parte coletiva: uma fatia ligada à meta da loja inteira, para que atendimento de WhatsApp e pós-venda também contem.
  • Indicador de qualidade: acompanhar por vendedor quantas lentes voltam para refazer ou trocar. Bônus por item só vale para quem mantém esse indicador baixo.
  • Oferta pela rotina: o vendedor apresenta faixas ligadas ao uso do cliente, como no roteiro de como vender lente multifocal, e não começa pela mais cara.
  • Respostas honestas a objeção: preparar a equipe com as respostas de objeções de vendas na ótica reduz a tentação de forçar a venda.

Vendedor que perde comissão quando o cliente volta insatisfeito aprende rápido que vender bem é vender o que serve.

Como implantar ou mudar a comissão na sua ótica

  1. Puxe os últimos três meses de venda por vendedor, com valor líquido, margem e devoluções.
  2. Simule os modelos com esses números reais, como na tabela acima, e veja quanto cada um custa para a loja.
  3. Escolha um modelo base e, no máximo, um complemento (meta coletiva ou bônus por item).
  4. Escreva a regra: base de cálculo, percentuais, data de pagamento, tratamento de cancelamento, devolução e venda parcelada.
  5. Valide o texto com o contador, conferindo piso, garantia mínima e DSR da convenção coletiva.
  6. Apresente à equipe com um exemplo calculado e entregue a regra por escrito para cada vendedor.
  7. Revise depois de três meses, sem mudar a regra no meio do mês.

Mudança que reduz o que o vendedor já recebe é delicada do ponto de vista trabalhista e de equipe; nesse caso, converse com o contador antes de anunciar. E nada disso funciona sem a venda registrada no nome de quem atendeu: o sistema de gestão para óticas é onde esse número nasce, e o CRM para óticas mostra quem atendeu cada contato antes da venda.

Onde o Otikos entra

No Otikos, a IA de ERP parte da venda registrada no balcão, vinculada ao cliente, à receita e ao pagamento, e a partir dela atualiza ordem de serviço, pedido ao laboratório, estoque, caixa, financeiro e comissão. A IA de Atendimento responde o WhatsApp 24 horas e agenda exame, e o pós-venda segue com cadência de mensagens até o dia 180. Os recursos dependem de configuração e plano.

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Perguntas frequentes

Qual a porcentagem de comissão de vendedor de ótica?

Não existe percentual definido em lei. Cada loja define o seu, respeitando o piso da convenção coletiva e a própria margem. O mais importante é a regra escrita: base de cálculo, devoluções, venda parcelada e data de pagamento.

Comissão de vendedor tem DSR?

Sim. A Súmula 27 do TST garante ao comissionista a remuneração do repouso semanal e dos feriados. O cálculo usual divide a comissão pelos dias úteis e multiplica pelos domingos e feriados; confirme a forma com o seu contador.

Vendedor só comissionado pode ganhar menos que o salário mínimo?

Não. A Constituição, no art. 7º, inciso VII, garante salário nunca inferior ao mínimo para quem recebe remuneração variável. Em mês fraco, a loja completa a diferença. A convenção coletiva pode prever garantia maior.

Comissão entra nas férias e no 13º?

Sim. Pela CLT, a comissão integra o salário, por isso entra na base de férias, 13º, FGTS e INSS. O cálculo costuma usar a média das comissões do período; o contador aplica a regra exata.

Pode descontar comissão de venda cancelada?

Depende de como a regra foi escrita e do caso concreto, e o tema tem jurisprudência própria. Defina por escrito como cancelamento, devolução e venda parcelada são tratados, e valide com o contador ou advogado trabalhista antes de aplicar.

Gabriel Sampaio

Sobre o autor

Gabriel Sampaio

Fundador do Otikos, sistema para óticas com IA feito no Brasil, e da GS Mídias, que trabalha com marketing e atendimento de óticas. Escreve a partir do que acompanha na operação das lojas: anúncio, WhatsApp, agenda e balcão. Revisado em 10 de outubro de 2026.

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  2. Simulação: o mesmo mês em cada modelo
  3. Prós e contras de cada modelo
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