Nesta página
- Quantas armações comprar: a conta começa pela venda
- Mix por faixa de preço e público
- Regra de giro: as duas fórmulas que mandam no estoque
- Consignação: quando vale e o que combinar por escrito
- O erro nº 1: estoque parado
- Lentes, óculos de sol e acessórios no estoque inicial
- Passo a passo para montar o estoque inicial
- Como o Otikos ajuda a manter o estoque girando
- Perguntas frequentes
Quantas armações comprar: a conta começa pela venda
Pensar no estoque olhando para o expositor é o caminho mais rápido para comprar demais. A conta certa parte de três números que você estima antes da inauguração: quantos óculos completos espera vender por mês, quantos óculos de sol e por quantos meses quer que o estoque aguente sem reposição (a cobertura).
A fórmula é simples: armações necessárias = venda mensal esperada × meses de cobertura. A cobertura de 3 a 4 meses é um ponto de partida comum para quem ainda não tem histórico, porque dá variedade suficiente para o cliente escolher sem imobilizar capital por um ano. Depois de três meses de venda real, você troca a estimativa pelo número que o sistema mostrar.
A estimativa de venda vem da pesquisa da região. O guia do Sebrae/PR para quem vai abrir ótica insiste nesse ponto: entender a concorrência e o que o cliente do bairro procura antes de ajustar os produtos à demanda. Conte as óticas num raio de poucos quarteirões, veja a faixa de preço que elas anunciam e observe o público que passa na sua porta em horários diferentes.
Mix por faixa de preço e público
Com o total definido, a pergunta passa a ser como dividir. O erro clássico é concentrar o dinheiro na faixa que o dono gosta, e não na que o bairro compra. Divida em duas dimensões: faixa de preço (entrada, intermediária e premium) e público (feminino, masculino, unissex, infantil e sol).
| Faixa | Papel na loja | Exemplo de peso no estoque | Como comprar |
|---|---|---|---|
| Entrada | Fecha a venda de quem chega pelo preço e protege o orçamento com lente | 40% | Compra própria, giro rápido, reposição frequente |
| Intermediária | Onde costuma estar o maior volume de óculos completos | 40% | Compra própria com poucas unidades por modelo |
| Premium e grife | Dá autoridade à vitrine e eleva o ticket | 20% | Preferir consignação ou compra mínima |
Dentro de cada faixa, distribua por público. Uma regra prática para começar: em cada faixa, tenha opções femininas, masculinas e unissex, um núcleo pequeno de infantil (que pede ponte e tamanho próprios) e reserve uma parte separada para óculos de sol, que vende por impulso e por estação. O Sebrae/PR lembra que a variedade de marcas, das acessíveis às grifes, ajuda a atender bolsos diferentes; variedade, porém, vem de modelos diferentes, não de muitas unidades do mesmo modelo.
- Profundidade baixa: 1 ou 2 unidades por modelo e cor na abertura. Repõe o que vende.
- Largura média: muitos modelos diferentes em cada faixa, para o cliente sentir que tem escolha.
- Tamanhos: cubra calibres pequenos, médios e grandes; armação bonita que não serve no rosto não vende.
Regra de giro: as duas fórmulas que mandam no estoque
Depois da abertura, o estoque deixa de ser estimativa e vira indicador. Duas contas resolvem quase tudo. A primeira é o giro, na forma que o Sebrae/PR ensina a calcular: custo das mercadorias vendidas dividido pelo estoque médio do período. A segunda é a cobertura em dias, que diz por quanto tempo o estoque atual aguenta no ritmo de venda de hoje.
| Indicador | Fórmula | Como ler |
|---|---|---|
| Estoque médio | (estoque no início + estoque no fim do período) ÷ 2, a preço de custo | Base para o giro |
| Giro | custo das mercadorias vendidas no período ÷ estoque médio | Quantas vezes o estoque se renovou no período |
| Cobertura em dias | estoque atual a custo ÷ custo vendido por dia | Quantos dias o estoque dura sem reposição |
| Giro por modelo | unidades vendidas ÷ unidades em estoque, por mês | Mostra o que repor e o que liquidar |
Calcule também por faixa e por público: o total pode parecer saudável com o premium parado e a entrada em falta.
Consignação: quando vale e o que combinar por escrito
Na consignação, o fornecedor deixa as armações na sua loja e você só paga o que vender, devolvendo o resto no prazo combinado. Para quem está abrindo, é a forma mais barata de ter vitrine premium sem imobilizar capital. Em troca, a margem costuma ser menor que na compra própria e o fornecedor passa a ter voz sobre o que fica exposto.
- Peça a lista de peças com código, cor, preço de custo e preço sugerido antes de receber.
- Defina o prazo de acerto (mensal é o mais simples de controlar) e a forma de pagamento do que vendeu.
- Combine a reposição: quem escolhe o que entra no lugar do que vendeu, e em quanto tempo.
- Deixe claro quem responde por peça riscada, quebrada ou furtada na loja.
- Registre o prazo de devolução do encalhe e quem paga o frete de volta.
- Confira a nota fiscal de remessa em consignação e a de retorno com o seu contador, porque a forma de emitir depende do estado.
Uma divisão comum para começar: compra própria nas faixas de entrada e intermediária, onde o giro é maior e a margem compensa, e consignação nas grifes e no premium. Os critérios para escolher quem oferece esse tipo de acordo estão em fornecedores de armações para ótica.
O erro nº 1: estoque parado
O problema mais caro de quem abre ótica raramente é faltar armação. É sobrar. Armação parada é dinheiro que não paga aluguel, laboratório nem anúncio, e que envelhece na parede.
- Sinal 1: a cobertura em dias sobe mês após mês, mesmo com a venda estável.
- Sinal 2: o mesmo modelo está na vitrine desde a inauguração e nunca saiu.
- Sinal 3: você compra mais porque falta modelo de entrada, enquanto o premium não gira.
- Sinal 4: ninguém sabe dizer quantas armações tem na loja sem contar uma por uma.
Defina uma régua e cumpra. Uma sugestão para adaptar: modelo sem venda em 90 dias muda de lugar na vitrine; sem venda em 150 dias entra em condição especial ou volta ao fornecedor, se for consignado; sem venda em 180 dias sai do estoque ativo e não é recomprado.
Lentes, óculos de sol e acessórios no estoque inicial
Lente de grau, na maioria das óticas, não é estoque: ela é pedida ao laboratório a partir da receita, e o custo entra junto com a venda. Antes de comprar lentes prontas, confirme com o laboratório o que ele entrega e em que prazo, e guarde dinheiro para isso no capital de giro, não na parede.
Óculos de sol pedem conta separada, porque a venda varia mais com a estação e com o fluxo de passagem. Comece com poucos modelos por faixa e reponha pelo que sair. Acessórios (estojos, flanelas, líquido de limpeza, cordões) são baratos, giram rápido e ajudam o ticket; deixe-os perto do caixa. O controle do dia a dia, da receita à baixa no estoque, está em como controlar receitas e estoque na ótica.
Passo a passo para montar o estoque inicial
- Pesquise o bairro: concorrentes próximos, faixa de preço que anunciam e público que passa na porta.
- Estime a venda mensal de óculos de grau completos e de óculos de sol, de forma conservadora.
- Escolha a cobertura: de 3 a 4 meses para armações de grau é um começo comum; anote o valor escolhido.
- Calcule o total: venda mensal × meses de cobertura, para grau e para sol, separadamente.
- Divida por faixa e público usando uma tabela como a deste guia, adaptada à sua região.
- Decida o que é compra própria e o que é consignação, começando pelo premium em consignação.
- Cadastre tudo antes de abrir: código, cor, tamanho, custo, preço e fornecedor de cada peça.
- Marque a primeira revisão para 30 dias depois da inauguração, com giro e cobertura por faixa.
O cadastro do passo 7 é o que torna o resto possível. Sem ele, giro e cobertura viram chute, e a régua do estoque parado nunca sai do papel. Escolher onde fazer esse cadastro faz parte da abertura; o comparativo de custos está em quanto custa um sistema para ótica.
Como o Otikos ajuda a manter o estoque girando
No sistema de gestão para óticas do Otikos, a equipe lança a venda vinculada ao cliente, à receita e ao pagamento, e daí saem a ordem de serviço, o pedido ao laboratório, a baixa de estoque da armação e das lentes vendidas e o lançamento no financeiro. Assim, o custo vendido que entra na fórmula do giro existe porque a venda foi registrada. A IA de Atendimento no WhatsApp orça pela tabela de preços e pelo catálogo cadastrados pela própria ótica, e redes têm estoque por unidade. Os recursos dependem de configuração e plano.
Perguntas frequentes
Quantas armações preciso para abrir uma ótica?
Depende da venda que você espera. Multiplique os óculos completos que pretende vender por mês pela cobertura desejada, em geral de 3 a 4 meses. Exemplo: 50 por mês com 4 meses de cobertura dá cerca de 200 armações de grau, sem contar sol.
Quanto investir no estoque inicial de ótica?
Some o número de armações calculado pela venda vezes o custo médio de cada faixa, mais óculos de sol e acessórios. Reserve capital de giro para laboratório e reposição; usar consignação no premium reduz o valor investido na abertura.
Como calcular o giro de estoque da ótica?
Divida o custo das mercadorias vendidas no período pelo estoque médio, que é a média entre o estoque do início e o do fim, sempre a preço de custo. Calcule também por faixa de preço para achar onde está o estoque parado.
Vale a pena pegar armação em consignação?
Vale principalmente para grifes e linhas premium, que giram mais devagar. Você só paga o que vende, mas a margem costuma ser menor; combine por escrito prazo de acerto, reposição, avarias e devolução.
Preciso ter lente de grau em estoque?
Na maioria das óticas, não. A lente de grau é pedida ao laboratório a partir da receita. Confirme com o laboratório prazos e o que ele entrega antes de comprar lentes prontas.



