Nesta página
- O CNAE principal da ótica: 4774-1/00
- CNAEs secundários: quando usar cada um
- Ótica pode ser MEI? E o Simples Nacional
- Vigilância sanitária e a norma das óticas
- Exame de vista e optometria: um tema em disputa
- Como definir os CNAEs da ótica com o contador
- Erros comuns na escolha do CNAE
- Depois do CNPJ: a operação no Otikos
- Perguntas frequentes
O CNAE principal da ótica: 4774-1/00
CNAE é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, mantida pelo IBGE. É o código que diz à Receita, à prefeitura e ao estado o que a sua empresa faz, e ele influencia o regime de tributação, a inscrição estadual, o alvará e as licenças que serão exigidas.
Para ótica, o código principal é o 4774-1/00, comércio varejista de artigos de óptica. Pela descrição oficial no IBGE, ele abrange o comércio varejista de armações para óculos, lentes para óculos, lentes de contato, óculos, produtos de limpeza para óculos e até binóculos. A consulta para conferir qualquer código está na busca online da Concla.
Na prática, o 4774-1/00 é a atividade de quem vende óculos completos e solares no balcão, monta a venda com a receita e encaminha a lente ao laboratório. Se a sua ótica se resume a isso, um código só pode bastar. Os secundários aparecem quando a operação vai além.
CNAEs secundários: quando usar cada um
CNAE secundário não é enfeite. Cada código acrescentado pode trazer exigência nova de licença, mudar o tipo de nota fiscal emitida e, em alguns casos, a forma de tributar. Inclua só o que a loja faz ou vai fazer de verdade.
| Código | Descrição oficial (IBGE) | Quando faz sentido na ótica | O que perguntar ao contador |
|---|---|---|---|
| 4774-1/00 | Comércio varejista de artigos de óptica | Sempre: é a atividade principal | Inscrição estadual e licença sanitária do município |
| 3250-7/09 | Serviço de laboratório óptico, que inclui lapidação de lentes e surfaçagem | Quando a loja tem laboratório próprio que faz surfaçagem ou lapidação | Se a atividade de indústria ou serviço muda tributação e licenças |
| 9529-1/99 | Reparação e manutenção de outros objetos e equipamentos pessoais e domésticos, que inclui conserto de óculos | Quando cobra conserto de óculos como serviço avulso | Se precisa de nota de serviço e inscrição municipal |
| 4649-4/99 | Comércio atacadista de outros equipamentos e artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui artigos de óptica | Quando vende para outras óticas, não ao consumidor | Regras de ICMS no atacado e na venda para outro estado |
| 4783-1/02 | Comércio varejista de artigos de relojoaria | Quando vende relógios junto com os óculos | Se o mix exige outra classificação de produto |
| 3250-7/07 | Fabricação de artigos ópticos | Só para quem fabrica armações ou óculos | É indústria: regras e licenças próprias |
Montar a lente pronta na armação, no fluxo normal da venda, é diferente de fabricar ou surfaçar lente. Se a sua dúvida é exatamente essa fronteira, leve a descrição da sua rotina ao contador antes de incluir o 3250-7/09.
Ótica pode ser MEI? E o Simples Nacional
Pode, dentro das regras do MEI. A lista oficial de ocupações permitidas traz a ocupação comerciante de artigos de óptica independente, ligada ao CNAE 4774-1/00. Pela Lei Complementar 123/2006, o MEI tem receita bruta de até R$ 81 mil no ano e pode ter um único empregado. Confira se esses limites não mudaram na data da sua abertura, porque a lei já foi alterada várias vezes.
Para a maioria das óticas com balcão, equipe e laboratório terceirizado, o teto do MEI fica pequeno rápido. Aí a empresa costuma ir para microempresa no Simples Nacional, onde, pela mesma lei, a revenda de mercadorias é tributada pelo Anexo I. Se houver serviço com CNAE próprio, como conserto ou laboratório, ele pode cair em outro anexo. Essa conta é do contador, com o seu faturamento previsto.
Vigilância sanitária e a norma das óticas
A regra federal que organiza o comércio de lentes de grau é antiga e teve a validade mantida pelo STF em 2020: o Decreto 24.492/1934. Alguns pontos dele que afetam quem abre ótica:
- Autorização sanitária: o comércio de lentes de grau depende de autorização da autoridade sanitária competente (art. 5º).
- Responsável técnico: o estabelecimento precisa de ao menos um ótico prático habilitado, que assina como técnico responsável (arts. 6º e 10).
- Receita: o art. 14 condiciona o fornecimento de lentes de grau à fórmula óptica de médico; o próprio texto do Planalto remete à ADPF 131.
- Consultório médico: o art. 16 proíbe o estabelecimento de venda de lentes de grau de ter consultório médico em suas dependências.
Os detalhes de licença, como documentos, vistoria e renovação, são definidos por estado e município. Antes de assinar o aluguel do ponto, consulte a vigilância sanitária da sua cidade sobre o CNAE que pretende usar e o que ela exige para o imóvel. O tratamento da receita como dado de saúde está em LGPD na ótica.
Exame de vista e optometria: um tema em disputa
Quem pensa em oferecer exame de vista dentro da ótica entra num terreno jurídico em disputa há décadas. Em junho de 2020, o STF manteve a validade dos decretos de 1932 e 1934 que limitam a atuação dos optometristas, ao julgar a ADPF 131. Em outubro de 2021, o relator concedeu liminar em embargos afastando essas restrições para optometristas com formação superior reconhecida, decisão a ser referendada pelo Plenário. O tema segue sendo discutido em outras instâncias.
Na classificação do IBGE, as atividades de optometristas exercidas de forma independente ficam no CNAE 8650-0/99, e não no comércio óptico. Este guia não toma partido: se o seu plano envolve exame na loja, parceria com profissional ou espaço separado, defina o formato com um advogado e com a vigilância sanitária local antes de incluir qualquer código no CNPJ.
Como definir os CNAEs da ótica com o contador
- Escreva a rotina real: o que a loja vende, se monta lente, se tem laboratório, se faz conserto cobrado, se vende para outras óticas.
- Confira cada código na Concla e leia o que ele compreende e o que não compreende.
- Defina o principal: para quem vende óculos ao consumidor, o 4774-1/00.
- Inclua só os secundários que a rotina justifica, um por atividade real.
- Leve a lista à vigilância sanitária e à prefeitura antes de fechar o ponto, para saber o que cada código exige.
- Peça ao contador a simulação de tributação com e sem os secundários, no faturamento previsto.
- Revise o CNPJ quando a operação mudar: abrir laboratório ou começar a vender no atacado pede alteração.
O CNAE também conversa com as compras: o fornecedor vai pedir os seus dados para emitir a nota, e vale conferir o CNPJ dele do mesmo jeito, como mostramos em fornecedores de armações para ótica. Com o CNPJ pronto, o próximo passo é a vitrine: a conta está em estoque inicial de ótica.
Erros comuns na escolha do CNAE
- Copiar o CNPJ de outra ótica: a rotina dela pode incluir atividades que a sua não tem, com licenças que você não precisa.
- Incluir código de atacado sem vender no atacado: complica o fiscal sem trazer benefício.
- Esquecer o serviço: cobrar conserto ou laboratório sem o código correspondente pode gerar problema na emissão da nota.
- Escolher o CNAE depois do ponto: o imóvel precisa atender às exigências sanitárias e de zoneamento para aquela atividade.
- Tratar o MEI como definitivo: se o faturamento previsto passa do teto no primeiro ano, comece como microempresa.
Depois do CNPJ: a operação no Otikos
O Otikos não abre empresa nem substitui o contador. Ele entra quando a ótica começa a vender: no sistema de gestão para óticas, a venda registrada no balcão gera ordem de serviço, pedido ao laboratório, baixa de estoque e lançamento no financeiro, e o CRM para óticas organiza cada interessado num funil, da primeira mensagem no WhatsApp até a venda. Os recursos dependem de configuração e plano.
Perguntas frequentes
Qual é o CNAE de ótica?
É o 4774-1/00, comércio varejista de artigos de óptica. Ele cobre a venda ao consumidor de óculos, armações, lentes para óculos, lentes de contato e produtos de limpeza para óculos, conforme a classificação oficial do IBGE.
Ótica pode ser MEI?
Pode, pela ocupação comerciante de artigos de óptica independente, ligada ao CNAE 4774-1/00, dentro do teto de faturamento e do limite de um empregado da LC 123/2006. As exigências sanitárias continuam valendo; confirme com o contador.
Qual CNAE usar para conserto de óculos?
O conserto de óculos aparece no CNAE 9529-1/99, reparação e manutenção de outros objetos pessoais e domésticos. Ele entra como secundário quando a ótica cobra o conserto como serviço avulso. Confirme a necessidade com o contador.
Qual é o CNAE de laboratório óptico?
É o 3250-7/09, serviço de laboratório óptico, que inclui lapidação de lentes e surfaçagem. Ótica que só encaminha a receita a um laboratório terceirizado normalmente não precisa dele; avalie com o contador.
A ótica pode ter consultório para exame de vista?
O Decreto 24.492/1934 proíbe consultório médico no estabelecimento que vende lentes de grau, e a atuação de optometristas é tema em disputa no STF e em outras instâncias. Defina o formato com advogado e vigilância sanitária local.



